| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Cuculiformes |
| Família: | Cuculidae |
| Leach, 1820 | |
| Subfamília: | Taperinae |
| Verheyen, 1956 | |
| Espécie: | T. naevia |
O saci é uma ave cuculiforme da família Cuculidae. Também conhecido por verão, peitica (no Maranhão e sertão nordestino), buraco-feio, buraco-feito, crispim, fem-fem (Amazônia), matinta-pereira (do tupi matintape're), matintaperera, matintaperê, sem-fim, seco-fico, sede-sede, tempo-quente, peixe-frito.
Em “Lendas amazônicas”:
Matintaperera é um pássaro noctívago de espécie rara, cujo canto estridente dizem prenunciar desgraça. Em toda a Amazônia o têm como encarnação de alma penada ou metamorfose de velha malvada a pedir tabaco para cachimbo. Nas noites de sexta-feira é maior o temor que inspira e, por isso, ao escutá-lo gritam: vem buscar tabaco amanhã… E, conta a lenda, no dia seguinte se há de ver uma negra velha de saia toda esfarrapada, rondando a casa em busca do fumo prometido… Mas vale ressaltar que é uma LENDA.
Seu nome científico significa: do (tupi) tapera, tapiera = nome ameríndio na língua tupi para uma ave cuculiforme que, segundo a mitologia indígena, grita imitando vozes de “espíritos” humanos; e do (latim) naevia, naevius = pintado, manchado, marcado. ⇒ Cuco pintado ou cuco manchado. “Coucou tacheté de Cayenne” de Brisson (1760) (Tapera).
Mede entre 26 e 30 centímetros de comprimento; o macho pesa entre 40 e 58,4 gramas e a fêmea entre 40,4 e 59 gramas.
Adulto com a testa, a coroa e a curta e irregular crista com coloração que varia da cor de canela ao castanho com listras pretas (tarja central sobre cada pena). Sobrancelha esbranquiçada, estreita sobre os olhos, após os olhos torna-se mais larga. Sobre os olhos apresenta nítida faixa escura. O dorso e escapulários com listras enegrecidas, uropígio e supracaudais com as raias do eixo pretas estreitas. Bochechas castanhas com listras escuras. As rêmiges são acinzentadas com larga faixa pálida na ponta. Álula longa, proeminente e preta.
Apresenta estreita faixa malar escura. A garganta é de coloração areia e o peito é tingido de cinza. O ventre é esbranquiçado e o crisso, de coloração camurça. A cauda é longa, um pouco graduada, marrom com as bordas acastanhadas.
Bico curto e levemente curvado, os tarsos e pés são cinza azulados.
O juvenil da espécie apresenta a crista mais curta que os adultos, a coloração da crista é cinza-escura e suas penas têm grandes pontos pálidos na extremidade terminal. A garganta apresenta a coloração canela e o peito, leve barrado escuro. As penas das asas (coberteiras e rêmiges) e as penas coberteiras da cauda com pintas claras de coloração camurça.
É rapidamente reconhecido pelo seu canto mais característico, emitido de forma contínua, ao longo do dia, no período reprodutivo e mais espaçadamente no resto do ano. Esse canto é entendido em diferentes partes do Brasil conforme cada um de seus nomes comuns. Também, raras vezes, canta durante a noite chegando a cantar várias noites seguidas. Possui dois cantos diferenciados, os quais, normalmente, utiliza em situações diferentes. O de 2 notas é mais usado quando o pássaro está distante de um rival e serve para demarcar território e o outro, de 5 a 6 notas, geralmente é usado como canto de amanhecer ou entardecer, ou quando sente a presença de um indivíduo da mesma espécie no perímetro de seu território. Entretanto, pode haver observações e conclusões diferentes de acordo com a região observada.
Possui duas subespécies reconhecidas:
(ITIS - Integrated Taxonomic Information System, 2015; Clements checklist, 2014).
Como o cuco europeu e outras aves de sua família, não faz ninhos próprios. Coloca seus ovos em ninhos de outras espécies, cabendo aos pais adotivos chocar e criar seus filhotes. Procura aves que fazem ninhos grandes e fechados, com uma pequena entrada, como o joão-teneném e o curutié (Certhiaxis cinnamomeus), como na foto abaixo. Apesar de muito maiores do que as espécies parasitadas, seus ovos possuem dimensões semelhantes ao hospedeiro forçado. A postura é feita quando os pais adotivos estão começando a botar os ovos e chocam mais rápido do que os irmãos de ninho. Ao nascer, o filhote possui um bico poderoso, com uma ponta em forma de alicate, usada para matar os outros filhotes à medida que nascem. Com isso, assegura um suprimento de comida compatível com seu maior tamanho e velocidade de crescimento. Os pais adotivos desdobram-se para conseguir alimentar o sacizinho, o qual segue pedindo comida, mesmo depois de sair do ninho, com 18 dias de vida. Nessa fase, já tem duas ou três vezes o tamanho dos hospedeiros.
Embora seja fácil de escutar, é de difícil observação. Vive solitário, ocupando áreas abertas próximas a capões de mata, cordilheiras ou com árvores esparsas. Não usa áreas com vegetação baixa, ficando escondido entre o capinzal ou os arbustos. Canta pousado nos galhos inferiores de uma árvore ou em arbustos, ocasião em que pode ser observado melhor, se detectado a tempo. A qualquer sinal de perigo, voa para o interior da mata ou esconde-se nos arbustos.